Lançamento nacional do Coletivo Sindical e Popular TRAVESSIA
As organizações políticas Resistência, Ruptura Socialista e Conspiração Socialista realizaram o lançamento do Coletivo Sindical e Popular TRAVESSIA, no dia 14 de dezembro passado, na sede da APEOESP em São Paulo, Capital. Várias outras organizações, entidades e movimentos compareceram ao evento, representando um esforço unitário indispensável nesta conjuntura tão adversa para a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre.
A iniciativa pretende dialogar e agregar o máximo de organizações e ativistas da nossa classe para lutar de maneira unificada contra os ataques que estamos sofrendo e dar o combate permanente contra a opressão e exploração capitalista.
O Manifesto de lançamento do coletivo se encontra logo abaixo:
MANIFESTO do Coletivo Sindical Popular TRAVESSIA
O momento atual da luta de classes requer um posicionamento firme e
coerente dos coletivos de esquerda que atuam no movimento sindical e
popular. Diante dessa tarefa histórica, reunidos em outubro na cidade de
Vinhedo-SP, lançamos um movimento que objetiva debater fraternalmente
divergências e convergências para construir uma intervenção unitária nos
sindicatos e movimentos. Após construirmos esse primeiro passo, a
próxima etapa é o lançamento de um coletivo sindical e popular de
ativistas e organizações a partir de aproximações de análises da
realidade política do país e do mundo, com a tarefa de fortalecer a
resistência dos trabalhadores num combate econômico e ideológico contra a
força cada vez mais agressiva do capital.
Os recentes
acontecimentos na América Latina, como, por exemplo, o violento golpe na
Bolívia que derrubou Evo Morales e está gerando protestos em todo país.
O fechamento do Congresso no Peru, a derrota de Macri e
consequentemente a volta do Peronismo na Argentina, a vitória da direita
no Uruguai, dentre outros, mostram as contradições latentes no
continente, que merecem uma análise mais profunda, para não cairmos nas
ilusões da conciliação de classes e, ao mesmo tempo, acumular forças
para enfrentar a ofensiva da extrema direita.
O Brasil reflete os
desdobramentos da desordem do sistema mundial, que ameaçam hegemonias e
da crise econômica mundial que se arrasta desde 2008. O resultado mais
expressivo desse processo é visível nas ruas de todo país: Milhões de
trabalhadores desempregados, precarizados e com menos proteção social,
contribuindo para o aprofundamento da desigualdade e aumento da
concentração de renda. Se, por um lado, poucas famílias têm uma riqueza
material absurdamente exagerada, por outro, milhões amargam uma vida de
sacrifícios e um futuro sombrio.
Derrotar Bolsonaro nas ruas
Esse
cenário se agrava com a ascensão de forças ultrarreacionárias ao
governo central do país, que usaram métodos antidemocráticos,
subvertendo o jogo político, à revelia do que está convencionado na
Constituição de 1988, com o com o objetivo de saquear direitos sociais,
reduzir os espaços democráticos, rebaixar o valor do trabalho (menores
salários, maiores jornadas), garantindo fôlego para um novo ciclo de
acumulação de capital.
O golpe de 2016, a atuação irregular da
força-tarefa da Lava-Jato, em especial na prisão de Lula, a
militarização de posições estratégicas do governo federal e a mudança no
arcabouço jurídico e legislativo para permitir que o conjunto da classe
trabalhadora tenha contratos precários, trabalhe até o limite de sua
saúde física e mental e tenha sindicatos mais frágeis, exemplifica o que
estamos constatando na realidade brasileira.
Frente única para lutar
Essa
situação nos coloca diante de uma correlação de forças mais difícil,
pois, a luta de classes, mais do que nunca, exige unidade de ação para
conseguirmos mobilizar o maior número possível de categorias. Colocar
multidões em movimento não é uma tarefa para iniciativas isoladas.
Assim, apostamos firmemente na conformação de uma frente única para
lutar, com as centrais, movimentos sindicais, populares, estudantis,
organizações que lutam por direitos civis e democráticos e na defesa do
meio ambiente.
Reunião do FÓRUM PELOS DIREITOS E LIBERDADES DEMOCRÁTICAS, em Teresina |
Na luta pelo socialismo
É
urgente fortalecer o combate ideológico. Nosso movimento tem como
objetivo a luta pela transformação social, numa perspectiva
anticapitalista e socialista. Não podemos menosprezar a capacidade das
forças do capital em contaminar os trabalhadores com sua ideologia
reacionária que em muitos momentos acabam levando os explorados a
defenderem as ideias de seus próprios algozes. A disputa palmo a palmo
contra as ideias neoliberais e conservadoras é parte das tarefas que
queremos assumir.
Combater toda forma de opressão
Achamos
imprescindível também compreendermos as lutas contra as diversas formas
de opressão como parte indissociável das reivindicações da classe
trabalhadora. Em nossas fileiras e iniciativas estarão as lutas: das
mulheres, que estão na vanguarda da resistência em todo o mundo, das e
dos LGBTs, das negras e negros, dos imigrantes, dos povos indígenas e
contra o genocídio da juventude negra. Além disso, assumimos também com
importância a luta em defesa do meio ambiente, das reservas florestais e
dos povos originários em geral, sempre numa perspectiva classista.
Todas essas lutas fazem parte da resistência contra forças reacionárias e
conservadoras que avançam em seu projeto excludente de sociedade.
Estamos
atentos às mudanças e transformações estruturais que estão se dando no
mundo do trabalho. Isso exige disposição para transformar a atuação dos
sindicatos e das organizações de base para estender a mão para milhares
de trabalhadoras e trabalhadores que estão desorganizados, sem direito a
organização sindical efetiva e que formam uma massa sem instrumentos de
luta. Quanto mais cresce a informalidade, mais os sindicatos perdem
potência e alcance. Essa situação sugere não só uma reflexão, mas
iniciativas que nos permita dialogar, organizar e mobilizar,
fortalecendo a consciência de classe e ajudando no avanço das lutas.
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Internacionalismo
Reivindicamos
a internacionalização das lutas, a solidariedade de nossas irmãs e
nossos irmãos trabalhadores de outros países e a organização de
calendários comuns intercontinentais. Avançar em combates de alcance
mundial contra as forças globais do capital é uma responsabilidade de
imensa magnitude que faz parte das tarefas mais importantes da classe
trabalhadora.
Nesta perspectiva, é imprescindível nos preparar
para enfrentar o período sombrio, que já se apresenta de forma brutal,
na velocidade assustadora em que ocorre a retirada de direitos
conquistados nas lutas nos últimos 70 anos. Isto implica em nos
solidarizarmos com as lutas e manifestações que hoje levam milhares de
ativistas às ruas em países vizinhos como Chile, Equador e Colômbia, por
exemplo, e nos engajarmos na tarefa de impulsionar a nossa classe para
reagir aos ataques do governo neofascista de Bolsonaro, cujos efeitos
nefastos já são indisfarçáveis.
Solidariedade às lutas da classe trabalhadora em todo o mundo |
Combate à burocratização
Por
fim, acreditamos que dentre os objetivos de um coletivo sindical e
popular, deve estar o combate ao avanço burocrático que se desenvolve
nos sindicatos e nas organizações da nossa classe. A atenção e cuidado
em fortalecer o trabalho de base presencial e pelas redes sociais., A
batalha para criar condições que permitam a participação das
trabalhadoras e trabalhadores nas estruturas de decisão, o respeito ao
espaço dos coletivos e organizações, a liberdade de crítica sem
retaliações, o esforço em formar mais quadros que possam assumir postos
de representação, impedindo personalismos e concentração desmedida de
poder, são tarefas que estão em nossos planos e que precisam ser
aprimoradas, refletidas e incorporadas à luz das mudanças da realidade e
de acordo com nossas possibilidades.
Mobilização permanente da base e combate sistemático à burocratização dos sindicatos |
Convidamos a todas e todos
que apresentam acordo e simpatia com essas ideias a vir dialogar
conosco, somar-se a esse esforço e dar um passo à frente nos ajudando a
construir essa iniciativa que está aberta aos que estão dispostos a se
organizar para lutar.